Educação Fisica

Pesquisa

Política de Pesquisa do Instituto de Educação Física da Universidade Federal Fluminense

O Instituto de Educação Física da Universidade Federal Fluminense busca consolidar a pesquisa como umas das dimensões na formação do professor de Educação Física, compreendendo-a questionadora das situações socio-políticas da contemporaneidade, no contexto do desenvolvimento cientítifo e tecnológico regional e nacional.

A ideia de pesquisa como uma atitude metódica de investigação no processo de sistematização do conhecimento, recorrendo à procedimentos científicos para construir respostas à um problema é apenas uma dimensão técnica de pesquisa. Pesquisa é diálogo com elementos objetivos e subjetivos, pois segundo Brandão (2003, p. 61) “todo conhecimento objetivo é um saber que passa objetivamente em e através de uma subjetividade”.

Em outro plano, mas mantendo a condição diálogica/crítica (objetividade e subjetividade) podemos afirmar a inexistência de neutralidade científica na ciência, pois cada sujeito investigador possui o desejo de ser verdadeiro a partir de sua convicções políticas. Compreender a ciência a partir desse ponto de vista constitui um entendimento de que o

(…) método científico é uma seta entre outras apontando um caminho entre outros. As técnicas de pesquisa e os procedimentos experimentais são o calçado que eu uso e o bastão que eu carrego ao caminhar. Mas quem caminha pelo conhecimento sou eu, um pessoa, e o caminho por onde eu vou, bem sei, não é nunca único. Há em qualquer domínio do real dimensões e conexões entre partes constitutivas e entre elas e o todos que as constitui sempre muito mais densas e mais profundas do que a “objetividade dos dados” pode alcançar. E o que ela não alcança é justamente aquilo que minha séria e dedicada imaginação deve ousar compreende (BRANDÃO, 2003, p. 61).

Assim, é preciso apresentar como princípio a perspectiva crítica na pesquisa conferindo-lhe, ainda, uma abordagem argumentativa mediada na (re)construção do conhecimento em conexão com princípio da responsabilidade e justiça social (MAINARDES; MARCONDES, 2009). Essa concepção define que a qualidade formal da pesquisa não deve estar separada da qualidade política, seu principio é de ampliação das questões de equidade, oportunidade e justiça social.

O diálogo da pesquisa com o ensino deve possibilitar ao professor um olhar crítico dos diferentes contextos e fenômenos a serem investigados, de forma não estereotipada, buscando a construção de saberes que o permita, segundo Demo (1988), ensinar com autoria, deixando de ser um repetidor de textos e ideias de outros. Essa atitude ampliada, a aproxima do processo de ensino e do extensionista, permitindo posicionar-se interna e externamente no desenvolvimento econômico, social, e cultural da sociedade. Além disso, a pesquisa não deve gerar um divisor de águas entre graduação e pós-graduação, reforçando a diferença onde o ensino para primeiros se retringe a oralidade e para o segundo o importante é o universo da escrita (MACHADO, 2006) revelando dicotomias e consequentemente desigualdades.

Neste sentido, a pesquisa é elemento articulador do ensino e da extensão, com relevância tanto no processo formador do pesquisador como no desenvolvimento da produção do conhecimento, entendendo-a como inacabada e transitora, precisando ser sempre (re)construída na perspectiva da melhoria da qualidade na educação e da sociedade.

A autonomia universitária é condição sine qua non para a produção de conhecimento com vistas à melhoria da qualidade na educação e da sociedade. Neste sentido, entende-se por pesquisa autônoma aquela não direcionada a interesses de grupos privados, financiada, preferivelmente, através de verba pública e respeitando os princípios da universalização do conhecimento. A luta pela manutenção dessa autonomia indispensável perpassa pelo combate ao aparelhamento das estruturas governamentais e políticas de intervenção direta na autonomia universitária pelos órgãos públicos de fomento.

A (re)construção de conhecimento necessita impreterivelmente de divulgação. O conhecimento produzido apenas passa a ter real valor social se for compartilhado com a sociedade. Neste sentido, é necessário fomentar que todo o conhecimento produzido no âmbito do instituto de Educação Física (IEF-UFF) seja divulgado, respeitando os princípios da acessibilidade do conhecimento e, preferencialmente, da gratuidade. 

A continuidade das ações de pesquisa no IEF/UFF, pautada nos princípios descritos acima, favorece a aproximação entre docentes de diferentes disciplinas, departamentos e grupos de pesquisa estimulando à circulação de diálogos nacionais e internacioanais.

Colocar em prática essa política é urgente, necessária e relevante, mas é preciso a eterna busca, para todos, de condições objetivas de estrutura física, materiais e organizativas que no contexto da Universidade Federal Fluminense, mais especificamente no IEF/UFF, não tem sido tarefa fácil. A constante ação administrativa/política, dos envolvidos, para concretizar esses espaços por meio de diálogos democráticos na sistematização de ações que permitam que a política de pesquisa seja de fato implementada, é condição primeira do debate para que os espaços sejam coletivos, sem privilégios de individuos e/ou grupos, especialmente àqueles que politicamente possuem na sociedade condições diferenciadas, a partir do tipo de pesquisa dominante.   

Para orientar o desenvolvimento da política de pesquisa foi estabelecido as seguintes atribuições da coordenação de pesquisa: 

1.     Estar vinculada com a coordenação de pós-graduação, aproximando da organização já encontrada na Universidade e favorecendo a difusão do realizado no conjunto do IEF;

2.     Tomar ciência dos editais de fomento dos órgãos de pesquisa federais, estadual e interno [CAPES, CNPq, FAPERJ e Proppi], divulgando-os entre doutores/as e recém-doutores/as do IEF-UFF, líderes e participantes de grupos de pesquisa;

3.     Tomar ciência dos diferentes projetos desenvolvidos no âmbito do IEF-UFF, promovendo o diálogo entre os grupos de pesquisa do IEF-UFF com a Proppi, divulgando a produção do IEF no site da UFF;

4.     Tomar ciência e divulgar entre o corpo docente, a lista de periódicos da área 21 com melhor classificação no Qualis-CAPES;

5.     Tomar ciência e divulgar entre os docentes e discentes do IEF-UFF, a lista de eventos da área e afins à área, a partir do diálogo com a produção dos atuais grupos de pesquisa existentes;

6.     Auxiliar o professor orientador/a, se necessário, no aconselhamento das atividades de pesquisa de bolsistas de agências de fomento no IEF-UFF, quanto aos editais, documentos e relatórios;

7.     Auxiliar, quando houver demanda, na organização e realização de eventos relacionados à pesquisa no/do IEF-UFF (da graduação e da pós-graduação);

8.     Promover, no âmbito do IEF, a atividade de pesquisa enquanto forma de ampliação da formação acadêmica, que exige dedicação específica, com vistas ao não abandono das mesmas em detrimento de novas bolsas, de fácil aquisição e menos tarefas a serem cumpridas;

9.     Construção de um banco de dados com a produção recente [dos últimos cinco anos] dos docentes do IEF-UFF, com vistas à organização e confecção de relatório com os produtos alcançados, articulando-os com o eixo epistemológico do curso de licenciatura do IEF;

10.  Ser representante do IEF junto à Proppi;

11.  Tornar público os critérios de seleção de bolsistas, assim como os resultados da seleção, quando estes não forem os apresentados pelas agências de fomento nos seus respectivos editais.

Referencia Bibliográfica

BRANDÃO, C. R. A pergunta a várias mãos: a experiência da pesquisa no trabalho do educador. São Paulo: Cortez, 2003.

DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. São Paulo: Cortez. 1988.

MACHADO, Ana Maria Netto. A relação entre a autoria e a orientação no processo de elaboração de teses e dissertações. In: BIANCHETTI, Lucídio; MACHADO, Ana Maria Netto. A bússula do escrever: desafios de estratégias na orientação e escritas de teses e dissertações.  São Paulo: Cortez. 2006. P. 45-66.

MAINARDES, Jefferon; MARCONDES, Maria Inês. Entrevista com Stephen Ball: um diálogo sobre justica social, pesquisa e política educacional. Revista Educação e Sociedade. Campinas, vol. 30, n. 106, p. 303-318, jan./abr. 2009 303. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br

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